
É, sei que estou aqui por conta própria. Aquela coisa de 'só sofre quem quer' é verdade, eu juro. A gente sempre sabe quando é de verdade.
Presta atenção, toda essa coisa de coração batendo mais forte, o novo que sempre chega por alguma razão, ouvir as palavras certas na hora errada ou as erradas na hora certa, assistir o inesperado deitada no colchão vendo um filme, os olhos nos olhos quando se espreme cravos e espinhas... Tudo isso, tudo mesmo é tão bom e tão ridículo. Aí passa um mês, dois meses e a gente se encontra face a face com a agonia de achar que não dá mais pra viver sem, só que no fundo, bem no fundo, a gente sempre sabe que não é a hora nem a pessoa certa. Porque depois de um tempo vem aquela coisa insuportável por dentro, surge a procura por qualquer distração, nada tem graça, nada faz esquecer esse troço esmagado que corrói tanto. A gente sai, ri, mas depois chega em casa e é a mesma palhaçada, dá vontade de chorar, vem o pensamento: 'meu Deus, como sou burra'! E não parece que vai acabar, mas acaba. Passa quando menos se espera.
É sempre assim, a gente entrega o coração pra alguém que parece ser único, mas depois de um tempo descobre-se que esse alguém mente, machuca, te faz passar a madrugada inteira em lágrimas tentando entender o por quê de isso estar acontecendo. E de fato, a resposta é tão simples que só se enxerga depois de muito tempo: acontece porque a gente quer, porque a gente deixa, porque não resistimos àos 'tum-tums' acelerados e às mãos soando por besteira. É o sentimento de estar viva, é gostar da dorzinha, da dúvida: 'será que é verdade isso tudo?', das horas que não passam quando se está longe e de como elas passam tão rapidamente quando se está perto.
E quando finalmente a gente se dá conta que isso tudo não está certo já é tarde demais. Já nos jogamos suficientemente para sairmos machucados nisso tudo. E como dói essa coisa de não ser correspondido adequadamente ou notar que tinha mentira demais nas mãos de quem a gente colocou verdadeiramente nossos corações.
Então, qual a solução? De verdade, eu não sei. Pela segunda vez estou tentando descobrir.
Encontrei-me aqui, novamente tentando arrancar drasticamente alguém e algo. Não tenho a intenção de jogar as minhas lembranças fora, só quero digerir o fato de, mais uma vez não ter dado certo.
Engraçado como a gente nunca aprende. Ficamos tão atentos aos sinais certos que ignoramos completamente o que a nossa razão acha dos errados.
O que é isso afinal? Não é o que eu quero de verdade. Eu quero muito além. Quero ficar sem fôlego e ao mesmo tempo me sentir segura, quero perder a cabeça, mas encontrar meu coração sorrindo e flutuando em algo bom pra mim, algo que me faça crescer e aprender e sentir vontade de viver.
Eu, assim como tanta gente por aí, não quero parar de pulsar, mas também não quero sentir dor pulsando. Quero meu coração saudável, sempre disposto a não parar nunca.
A partir daí, eu o entrego completamente como das outras vezes... Nem precisa de muito para agradá-lo e ele fala mais alto do que qualquer outra coisa que exista dentro de mim.
Se a gente inventa tanta coisa por aí, dessa vez exigo algo diferente pra variar. Enquanto mais uma decepçãozinha não passa, quero me preparar pra ficar atenta aos sinais certos e errados.
Sei que vou acabar caindo na mesma armadilha de sempre, conheço meus instintos, mas se eu puder evitar ou adiar pelo menos um pouquinho o meu masoquismo diário, talvez eu volte mais viva e recuperada para a próxima.
Mesmo assim, se é que isso serve de consolo pra mim e pra quem, igualmente, se vê na mesma situação, o vento que passou levando todo amor que tínhamos depositado de alguma forma é o mesmo que trás o novo, o sopro de vida diferente que esperávamos e necessitávamos.