27/11/2009


"... A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar."

11/11/2009

Sobre o mistério conformado

Eu acho tão bonito isso de guardar o que a gente sente.
Sabe, deve haver alguma razão para estarmos aqui. Eu, você, os figurantes à nossa volta, um filme da vida real.
E se houver uma razão, por mais nexo que obrigatoriamente haja, tem que ter um sentido único. Desses assim que a gente se emociona e diz que foi o destino, que alguém ou algo planejou nossos passos, nossas idas e vindas e assim, subtamente cruzou as nossas avenidas.
E diz que estava escrito nas estrelas, lá bem longe. E diz que eu tenho um medo de ver isso partir da mesma maneira que veio.
Eu quero tanto te ser poesia que chego até a achar engraçado. Essa mania que a gente tem de esperar coisas lindas da vida. A vida é linda sim, é linda mesmo com esse cheiro de sofrimento que a gente sente quando as pessoas passam na rua.
E tantas pessoas passando, e vivendo; os álitos, os hábitos, os gastos, os sentidos.
E diz que eu gosto disso de viver. E diz que é tão bonito isso de não saber o que vai ser. Mesmo com medo, mesmo com possibilidades contrárias ao que a gente tanto quer. É só seguir o fluxo, o ritmo, o vento. E o que virá depois?


Não sei, não sei. Acho que nem preciso saber.

03/11/2009

"Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança."










Aí a gente se pergunta: quero mais o quê?
E aí pensa em todas as coisas que a gente quer, porque a gente sempre quer alguma coisa. Mas hoje eu tenho coragem e o mundo é pra mim como eu sou pra ele.

Abram as portas, as janelas, os olhos!
Quando a gente abre o coração a gente enxerga melhor. E enxergar melhor as vezes é tudo que eu preciso.

28/10/2009

para um coração partido

Em dias assim a gente precisa de uma mão acolhedora. Não por fraqueza ou infelicidade, mas por necessidade de as vezes ter alguém pra dizer: 'ei, to aqui... não vou sair daqui porque me importo com você.'

Quando se leva um tombo, mesmo pequenininho e indiscutivelmente inevitável, a gente quer ajuda e quando a ajuda é encontrada, acaba com essa coisa de se sentir ridículo por dentro, dando um sorriso amarelo com medo de alguém rir.

O fato é que a gente gosta, e então a gente aprende a amar e a venerar e a querer mastigar o sentimento já mastigado e engolir sentindo cada gosto que é único. E depois quando a gente menos espera, o doce vira azedo, que vira amargo. Aí dói de engolir e dói de ver e saber que existe e que a gente sente. E quando a gente abre os olhos e enxerga o que mastigou com tanto prazer, a gente sente nojo e medo e terror e uma vontade de jogar fora tudo o que já foi digerido. Então é nessa hora que a mão tem que estar estendida. Não por dó, mas por compreensão. Por saber que o amanhã é sempre incerto e quanto mais se insiste em saber, mais desesperadora se torna a situação.

E dói, e a gente sente vontade de gritar e a gente se sente maldito e tenta justificar toda a agonia chamando-a de burrice. Mas não é burrice. O nome dessa coisa de querer ter por perto quem a gente aprendeu a amar não é burrice, é medo. Porque depois que esse amor nasce a gente tem medo de ficar sozinho. De acordar de madrugada e de repente não ter mais pra quem ligar, alguém pra quem dizer: 'ei, não consigo dormir, conversa comigo'. E então conversar. E então saber que alguma coisa te liga a outra pessoa e que essa coisa você nunca sentiu antes e não sabe porque sente e porque quer sentir. Assim se justifica a chamada 'burrice' que as pessoas julgam ser ridícula! E quem julga nunca sentiu esse arrepio, a sutileza das mãos suadas e os beijos na testa. A vontade de ter por perto que parece nos matar aos poucos. Uma perfeita contradição. Estar preso por vontade.
E quando acaba ou alguma coisa; o destino o tempo ou o quer que seja trava o fluxo de um sentimente até então doce e tão querido, o que se sente por dentro e por fora e ao redor clama por uma mão ou duas, ou o mundo inteiro.

Por isso te escrevo. Porque eu já precisei de uma mão, porque eu já tive um amor assim desses
tão bonito que a gente lê nos livros e agradece quando aparece. E esse amor que eu cuidei e deixei crescer por dentro um dia foi embora e eu não pude dizer 'obrigada por nascer em mim.' ou um 'até a próxima'. Ele morreu antes de se despedir e eu fiquei sozinha num canto escuro tentando entender o porquê.
Agora vem cá, deixa eu te contar... Vai passar. Não agora, talvez não amanhã, mas eu sei que passa. Me dá a mão que eu te ajudo, você vai ver que o dia sempre amanhece mais bonito depois que a gente acorda cansada de um pesadelo.

22/10/2009

Sonho semeando o mundo real


Deve haver algum sentido nessa coisa de viver, e superar, e se sentir preso em sua própria confusão. E quanto tempo demora para cansar de chorar e continuar?
Eu tenho em mim todos os sentimentos que vivi até hoje. Alguns consegui, incrivelmente bem, esconder e me obriguei a não tentar revê-los nunca mais. Não por sentir dor, mas por uma simples vaidade, por me achar forte o suficiente. Outros, por mais que eu queira, por mais que eu tente expulsar, maltratar, repetir imensas vezes 'não te quero, não te quero', eles ficam. E me arrancam o sono e cutucam as feridas abertas como intrusos, roubam a minha alegria, não me deixam sorrir. Querem me matar de medo, obrigam-me a encarar as partes ruins dessa vida de encontros e desencontros.

E hoje sinto saudade.
Só que uma saudade que não se pode matar, voltar, rever e dizer 'nossa, que saudade de você'. É uma saudade que eu não queria ter comigo, que me deixa mole, que me faz querer me separar de mim mesma. Dar as costas ao mundo, ao que eu sinto, ao que me corrói.

Queria que você estivesse aqui. Quantas vezes já disse isso? Já estive nesse lugar diversas vezes e nunca soube quando teria fim. Talvez não tenha. Talvez todos nós tenhamos uma dor para carregar e talvez essa seja a minha.
Sinto sua falta... Todos os dias algo me faz lembrar você e eu me obrigo a ser forte e a não dizer o que sinto a ninguém. Não quero que você me ache fraca, mas ainda é tão difícil não te ter por perto quando é o que eu mais preciso.
Pior que nunca ter tido é ter um dia e de repente não ter mais.



"Guarda estes versos que escrevi chorando como um alívio a minha saudade, como um dever do meu amor; e quando houver em ti um eco de saudade, beija estes versos que escrevi chorando."

05/10/2009

[...]


E quanto ao meu sonho, não sei por onde começar.
Talvez com os meus passos naquela manhã... Como a luz do dia despertou meu coração e eu me sentia só. E de repente a minha força não era mais força, era pena e incerteza. Como se tudo o que fosse dito não passasse de um diálogo com o tempo. Uma espera angustiante. "- O que vai ser? Como vai ser? Quem vou ser?"

Meu monólogo da loucura e lucidez.

Eu peço, vem. Não há resposta, não há ninguém do lado de fora e aqui dentro eu grito e mesmo sem um porquê eu espero.
Talvez o tempo faça mudar. Quem sabe o que veio não veio pra ficar. Quem sabe se eu fechar os olhos... "-O que?" ... Não sei. Eu posso fechar os olhos e passar então a enxergar melhor. (Teoricamente ou ironicamente falando). Ou posso simplesmente fechar os olhos e então não enxergar mais nada. Nesse mundo de cegos, fechar os olhos não faz diferença nenhuma.

No meu relógio a vida acelera. Não dá tempo de parar, respirar e reinventar. Eu posso medir no vento ou simplesmente encontrar a direção certa indo em frente sem previsão, só com a passagem de ida.
E quanto ao meu lar, que seja aqui ou em qualquer lugar. Quero um canto assim, só meu pra poder chorar baixinho quando for necessário. Um espaço pra correr de mim.
A loucura que eu sempre quis aqui na minha frente e eu só preciso estar distraída suficientemente a ponto de não esperar nada.
E no sonho, como no final do arco-íris dizem que há um pote de ouro, talvez no céu da Lucy exista diamantes e ela queira dividir comigo e com os Beatles.
Agora só me resta separar o dentro e fora dos meus dias de lucidez para me perder quietinha na minha loucura.
Um passo, dois passos e eu posso aprender a voar.

20/09/2009


Eu não sei o que é, não sei se vai durar, não sei como começou. Eu só sei o que eu quero agora, sei a intensidade disso que eu sinto, sei que hoje eu quero assim desse jeito. E depois, se não for, que se dane, que se dane mesmo! Eu tenho muita coisa pra dizer. Muita coisa dessas que a gente diz quando se sente feliz ao lado de alguém e só quer isso. É tanta paz, tanta, tanta que eu nem imaginava que podia ter assim, ficar assim e sentir assim. E a saudade. Aquela saudade que eu não consigo evitar, a que me dói aos pouquinhos quando vou me afastando, a vontade de voltar correndo pra ficar. E dá medo, dá muito medo, daqueles que não se explica, que só sente. É isso tudo que eu quero. Mesmo com medo, por tempo indeterminado, até quando eu não sei. Até quando a gente quiser e a gente aguentar. Mas assim como já me pediu eu te peço pra não ir, porque você agora é a melhor coisa que me aconteceu de todas as coisas que acontecem assim, sem querer na vida. E ficar com você é o que eu mais quero hoje.

12/09/2009

where 2 + 2 = 5

Não faz sentido algum dar as costas e dormir esperando um sonho bom. É o jeito certo de viver. Esperar, não fazer acontecer quando não se pode frear o inevitável. E andar, e andar... Fazendo de tudo o que você acredita o escudo mais forte, a sua verdade a espada que não quebra nunca.
Nem mais um passo, nem mais uma volta, a gente corre contra o tempo, a gente quer voltar no tempo e o que sobra é a certeza de que tudo é incerto.
Eu fecho os olhos agora, eu finjo que não tem confusão, que minha mente está em paz como o meu coração, mas quando se mente pra si mesmo a gente nunca sabe por qual caminho seguir.
Dar a mão, abraçar a saudade e sentir o carinho que eu dei. Calar a mente, calar o peito, calar o mundo e só deixar falar o que se quer ouvir: que a dor já foi, que o dia acabou e que já se pode sorrir.

Guarde um sonho bom pra mim?

26/08/2009

Para um coração triste, à distância.


Eu quero a sua dor em mim, não porque seja algo bom, mas porque eu sei o quanto pesa em você. Se eu pudesse, se houvesse algum jeito de arrancar uma parte dela e colocar em mim... Mesmo que doa o bastante, mesmo que cresça e me faça chorar. O importante é não sentir que você está morrendo aos poucos por dentro.

Tenho aqui tanta coisa pra dizer, tanto a agradecer. Lembranças dos dias em que eu chorei e você segurou a minha mão, do seu pensamento que era meu, do seu coração que viajava e abria as portas para tudo o que havia de triste em mim filtrando a minha angústia.

E agora eu me sinto tão insignificante diante de tudo. O mundo de repente ficou tão maior me fazendo sentir inútil por não saber o que dizer ou fazer. '-Tudo vai ficar bem!' ; '- Deus nunca nos dá um fardo que não possamos carregar!'. Merda! Pra que ouvir isso quando a gente se sente triste a ponto de querer se afundar cada vez mais? Não dorme, não sente fome, uma auto-piedade imensa, um campo aberto em que você é tão vulnerável a ponto de se conformar e apenas se deixar partir.

Vivemos num mundo em que as palavras não funcionam sempre e que os olhares não dizem toda a verdade.

Mas mesmo assim eu tento escrever algo que não seja tão triste, que voe até você e divida o peso comigo. Não importa quão pesado seja, eu estou pronta pra aguentar qualquer coisa pra não te imaginar mais chorando num canto sozinha. Se eu pudesse, juro, faria qualquer coisa por você. O que você pedisse. Porque um dia você fez por mim e porque eu sei que faria quantas vezes precisasse.

Eu posso te guiar cega, aos trancos, até a segurança que conhecemos, posso dizer que você nunca vai estar sozinha, que os seus dias tristes serão felizes e que o que hoje te esmaga vai te libertar em breve. Ou posso simplesmente me calar e te ouvir olhos nos olhos, seguindo a tua voz, guardando o que você sente só pra mim. Ou então posso te fazer rir falando uma besteira qualquer e rindo de mim mesma por ser tão boba. Posso dizer que eu te amo e que eu carrego o seu coração comigo dentro do meu coração.

Mesmo assim não seria suficiente. Mesmo assim você teria que suportar tudo sozinha. E mesmo assim eu estaria longe querendo a sua dor pra mim. Não por ser algo bom, afinal, mas para que não seja mais a sua dor.

12/08/2009

tun.



De novo a voz dentro da voz que eu não escuto, mas sinto... O aperto, o pensamento longe acompanhando seus passos, a corrida contra o tempo para aproveitar cada segundo em que me desfaço. O carinho, o seguimento no embalo da batida, dar as mãos e pular. Sendo apenas eu quando você é você. E a gratidão, a suavidade que preenche tudo o que era ausência e falta. Os meus segundos que são mais vivos do teu lado me fazem ter fé em algo que eu conheço e ao mesmo tempo desconheço. É que parece ser igual e diferente. A perfeita contradição entre dar a mão e absorver o sentimento do mundo. O que vem de você não me mata, não me machuca, não me faz querer voltar.

Eu devo continuar? Ir até o fim disso que eu não consigo prever, não consigo me forçar a imaginar. Um não saber de cór sem medo, sem anseio, sem dor. Meu amor livre, o ponto de encontro entre a lucidez e a loucura. Meu abrigo quentinho, a voz que eu quero ouvir antes de dormir, o rosto que eu quero enxergar quando fechar os olhos, o meu não contentar-se de não-contente, minha viagem interna.

Eu quero tanto que você fique.

Fique mais aqui comigo. Até quando quiser, o tempo que conseguir. E depois, se for pra ir, que vá, mas me deixe a paz que você me deu, devolve a dor que arrancou, não me tira o sorriso que eu pus pra te amar melhor, pra te ser melhor e fazer o melhor.
Não cabe mais o que eu sinto, transborda por onde eu passo, se renova enquanto eu cresço, me aperta me dando espaço.

Enquanto tantos olhos vão cruzando o meu caminho, vou fechando-os um por um, até encontrar os seus, e assim fechar os meus, seguindo o riso até calar o peito. Então crio um modo de não envelhecer as batidas, a cor, o sabor, o que se sente até que o coração canse e enfim pare.