19/06/2009

Um desejo



"- Fecha os olhos, péde..." Usa o coração, esquece o resto, esquece esse barulho, cála teu corpo, teu peito, tudo o que te mantém no chão.

Depois do pedido, acredita... Espera que o sussurro vem. Deita no meu cólo e aguarda tua chance de dizer o que eu quero ouvir. Eu te esperei por tanto tempo que agora eu só quero que você me queira.

Mesmo sabendo de cór a dor de não dar certo, mesmo que eu saiba que tudo debaixo desse céu tem seu fim. É que o que eu sei me leva sempre ao não, mas agora eu espero um sim.

Foge de mim se quiser! Foge porque você ainda tem tempo! Mas eu quero que você fique. Fica? Aqui tem tanto espaço, eu te deixo entrar, finjo que não tenho medo. Só não me arranca com força o que eu vou te dar suavemente; Só não destrói as minhas asas e não tenta mudar o que eu sou.

Posso te querer longe um dia ou outro, mas é perto que eu me encontro.

Fecha os olhos comigo agora, me deixa falar baixo, pisar leve. Eu vou com você se quiser (porque eu quero).

"- Vai, assopra, seu desejo vai se realizar!"

Equilibra meu equilíbrio no teu! Eu queria um samba pra me aquecer e ele está aqui. E agora? Eu pergunto pra mim: '- por amor, ou por besteira?'

Que seja por amor então...

02/06/2009

Monólogo de um sonho


Pra começar, eu sei o que vão dizer: 'agora ela está bem', 'ela quer que você siga em frente', 'ela te amava muito e não quer te ver desse jeito'.

É, eu sei... Já decorei todas as falas, todas as caras de 'eu não sei o que dizer', todas as posições dos pés e os braços abertos. Eles me acalmam, me confortam, me distraem, mas não é isso que falta e é nessa hora que me encontro só.

O que eu preciso não posso ter. Só as lembranças, doces cheiros, acalentando meu coração, esquentando meu corpo. E é nessa hora, mesmo não querendo, que eu transbordo, por ter de quem sentir saudade, por ter dito adeus rápido demais para alguém que eu amava muito.

Se nós somos duas almas perdidas nadando por aí, posso pensar que vou te encontrar de novo, não posso? E assim, eu posso pensar que neste momento você tá me observando?

Daí eu posso fechar meus olhos, então, e imaginar o seu abraço me apertando, minha cabeça no teu seio, e você rindo dizendo pra eu não chorar mais porque você está comigo. Então eu sorrio, mesmo sendo mentira, eu sorrio, porque eu te vi nos meus pensamentos, porque você esteve do meu lado e você estava tão linda me dizendo pra não chorar.

E aí eu te olho toda vermelha, com cara de choro e digo: 'queria que você estivesse aqui.' Aí você diz que está e eu finjo que acredito, e é nessa hora que você vai embora. Eu abro os olhos e vejo o apartamento vazio, não ouço seus passos, só essa música que me lembra você, só essa saudade que é culpa sua.

A realidade mais chata que um sonhador qualquer poderia encarar. É como estar só, abraçar a solidão e se sentir suave.

23/05/2009

À espera


Deixa falar meu coração. Deixa ouvir, ser, caber. Esqueça tudo o que eu vi, ouvi e fui, seja em mim tudo o que quiser, mas seja. Vem agora, me toca a alma, me leva embora. Acalma um pouco o meu interior porque me encontro perdida, inquieta, traída. Faz-me pulsar mais, chorar menos. Aquece meu corpo, encontra meu peito e deita teu rosto, me diz como foi seu dia que eu te conto porque quero ficar.
Encontra-me onde estiver, sai dos meus sonhos, vem me abraçar, vem me dizer que eu sou o que você sempre quis. Faz meu sorriso sincero, vem pra cá que eu sou pra você e você é pra mim. Vem que eu te sinto quando fecho os olhos, eu não te conheço e você não me conhece, mas será em você que vou me dividir.
Deixa falar, deixa ouvir, deixa-me ser eu mesma e deixa-me ver o quanto te agrada que te deixo ser o que quiser. Cabe em mim essa coisa, esse algo que aguardo, esse amanhã que sinto presente.
Não precisa ser o meu tudo, mas seja uma parte do que sou, minha metade, meu abrigo quentinho, minha dor que dói e não dói. Ama-me em segredo, surpreenda-me, dá-me asas e me deixa ter minhas raízes.
Sou bixo que sente, amante que péde calor, criança que chora por cólo e cuidado. E quando repousar dentro em mim, não me deixa nunca, não me diga adeus.
Deixa-me ser seu silêncio, seu porto seguro.
Bate na porta agora que te deixo entrar. Fala qualquer coisa assim, baixinho no meu ouvido e te falarei: 'vem, sempre te esperei, deixo-te ser, deixa-me ser então.' Aí você deixa.

19/05/2009

De temps en temps


Vem cá, me dá um abraço, deixa eu te dizer o que eu sinto. É tanta confusão que no espaço em que me encontro berro alto, grito aflita, imensamente me procuro e não me encontro.

"É tudo questão de tempo!"


17/05/2009

Mesmo esse amargo que sinto nessa noite fria, mesmo que fosse diferente, quanto tempo ainda temos? De agora em diante, do que passou e chegou até mim, da cor branca, do cheiro e da dor. Sei que posso ser o que eu quiser. Eu tenho coragem, mas ainda tenho medo. Não sinto fome, só quero dormir, me fechar, você deixa?
Escolhi... E agora? Quanto tempo ainda temos?
Sou eu que bato nessa porta, desculpa, só quero entrar pra você cuidar de mim. Escolhi errado, mas o que é o errado? Cuida de mim hoje? Não quero sentir isso, me leva embora.
Deixa-me sair daqui, vem comigo! Quanto tempo ainda temos? Você pode ser meu anjo se quiser. Eu quero. Posso ser seu anjo? Prometo te levar pra longe, mas me deixa pisar leve. A gente faz tanta coisa pra se machucar. Só porque dói, só porque eu gostei de ser isso, mesmo não sendo o que sou.
É tempo perdido? Quanto a gente ainda tem e como vai ser depois? Não vai embora não, fica aqui comigo. Não me deixa mais fazer isso, eu só quero conforto, só preciso repousar minha cabeça, soltar da mão de quem me arrasta pra lá.
Dá-me um sonho bom? Sua mão pode ficar por cima da minha se quiser, mas me leva embora, me leva pra qualquer lugar longe daqui.
Agora faz de conta que a gente pode voar, mas antes, me diz... Quanto tempo ainda temos? Mesmo esse amargo pra mim é doce. Eu acho que estou bem. Pareço bem? Ela vai me corroendo e eu não sei o que fazer pra acabar logo com isso. Dá-me tua mão agora, anjo, fica comigo até meu corpo parar de tremer. Quanto tempo ainda temos?

10/05/2009

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."



É que eu quero tanto esse espaço, esse chão, esse céu, essa água que as vezes cai. Eu quero tanto, mas tanto que esqueço de querer mais a mim, aquele reflexo imperfeito e incompleto do que deveria ser. Esqueço o quanto eu preciso me lembrar que existo, que estou no mesmo espaço que quero ter e que esse espaço pode me trair. E se me trair, o que será de mim? Derramando mais uma vez algo que detesto. Deixando cair aos pouquinhos pedaços e pedaços do que ainda pulsa. Mas se eu não quiser esse espaço, se optar por ir adiante, pelo medo talvez de sentir dor e dar o que não se pode dar, como vai ser? Perderei? Economizarei coração, pranto e desconforto? Vou desperdiçar algo mais por me distrair e deixar escorregar por dentre meus dedos a chance (será uma chance?) de sorrir?
E se os meus 'e se...' continuassem prolongando os meus dias, minhas horas, minha vida? É essa a hora que é preciso parar e se deixar ser?

17/04/2009

Seguir em frente


Essa coisa de passado que volta de vez em quando é uma chatice. Passou, passou e a gente devia, por conta própria, colocar um ponto final nisso. Afinal, não tem nada mais sagaz do que seguir em frente, nada mais invejável àqueles que vivem presos no passado.
Sem contar que é maravilhoso relembrar tudo o que já foi e saber que foi mesmo, que não volta nunca. E se houve perdas, danos, dores, amores perdidos, risos, que bom! A gente renasce bonito, mais amplo, mais calmo, mais feliz. É como levantar de um tombo as vezes, sacodir a poeira, limpar o bumbum e dar risada do que aconteceu. Não importa o quanto tenha sido bom, o quanto dói não ter mais os brinquedos da infância, aquela roupa preferida ou uma pessoa amada que se foi. As vezes a gente precisa permitir e deixar partir. É inevitável sofrer no início, mas com o tempo tudo se ajeita e o coração antes triste se torna pleno mostrando que é bom seguir em frente e que a nossa vida não se vai com os momentos, as horas e as pessoas que passaram por nós. A nossa caminhada continua mesmo depois de ver a de muitos indo embora ou mudando de direção.
Eu admiro todos que não param, todos que carregam corações partidos e a ausência consigo. Admiro e respeito o tempo porque é ele quem nos dá presentes mesmo arrancando alguns de vez em quando. Não há substituição, e quem precisa disso? A gente se habitua a qualquer coisa, basta um pouquinho de coragem e um lugar pra repousar quando o cansaço vier.

Por que não seguir em frente? Não dê o gostinho do atraso aos outros, continuar é inesperado e surpreende... Por isso é tão bom.


13/04/2009

Alguém e algo



É, sei que estou aqui por conta própria. Aquela coisa de 'só sofre quem quer' é verdade, eu juro. A gente sempre sabe quando é de verdade.

Presta atenção, toda essa coisa de coração batendo mais forte, o novo que sempre chega por alguma razão, ouvir as palavras certas na hora errada ou as erradas na hora certa, assistir o inesperado deitada no colchão vendo um filme, os olhos nos olhos quando se espreme cravos e espinhas... Tudo isso, tudo mesmo é tão bom e tão ridículo. Aí passa um mês, dois meses e a gente se encontra face a face com a agonia de achar que não dá mais pra viver sem, só que no fundo, bem no fundo, a gente sempre sabe que não é a hora nem a pessoa certa. Porque depois de um tempo vem aquela coisa insuportável por dentro, surge a procura por qualquer distração, nada tem graça, nada faz esquecer esse troço esmagado que corrói tanto. A gente sai, ri, mas depois chega em casa e é a mesma palhaçada, dá vontade de chorar, vem o pensamento: 'meu Deus, como sou burra'! E não parece que vai acabar, mas acaba. Passa quando menos se espera.

É sempre assim, a gente entrega o coração pra alguém que parece ser único, mas depois de um tempo descobre-se que esse alguém mente, machuca, te faz passar a madrugada inteira em lágrimas tentando entender o por quê de isso estar acontecendo. E de fato, a resposta é tão simples que só se enxerga depois de muito tempo: acontece porque a gente quer, porque a gente deixa, porque não resistimos àos 'tum-tums' acelerados e às mãos soando por besteira. É o sentimento de estar viva, é gostar da dorzinha, da dúvida: 'será que é verdade isso tudo?', das horas que não passam quando se está longe e de como elas passam tão rapidamente quando se está perto.

E quando finalmente a gente se dá conta que isso tudo não está certo já é tarde demais. Já nos jogamos suficientemente para sairmos machucados nisso tudo. E como dói essa coisa de não ser correspondido adequadamente ou notar que tinha mentira demais nas mãos de quem a gente colocou verdadeiramente nossos corações.

Então, qual a solução? De verdade, eu não sei. Pela segunda vez estou tentando descobrir.

Encontrei-me aqui, novamente tentando arrancar drasticamente alguém e algo. Não tenho a intenção de jogar as minhas lembranças fora, só quero digerir o fato de, mais uma vez não ter dado certo.

Engraçado como a gente nunca aprende. Ficamos tão atentos aos sinais certos que ignoramos completamente o que a nossa razão acha dos errados.

O que é isso afinal? Não é o que eu quero de verdade. Eu quero muito além. Quero ficar sem fôlego e ao mesmo tempo me sentir segura, quero perder a cabeça, mas encontrar meu coração sorrindo e flutuando em algo bom pra mim, algo que me faça crescer e aprender e sentir vontade de viver.

Eu, assim como tanta gente por aí, não quero parar de pulsar, mas também não quero sentir dor pulsando. Quero meu coração saudável, sempre disposto a não parar nunca.

A partir daí, eu o entrego completamente como das outras vezes... Nem precisa de muito para agradá-lo e ele fala mais alto do que qualquer outra coisa que exista dentro de mim.

Se a gente inventa tanta coisa por aí, dessa vez exigo algo diferente pra variar. Enquanto mais uma decepçãozinha não passa, quero me preparar pra ficar atenta aos sinais certos e errados.

Sei que vou acabar caindo na mesma armadilha de sempre, conheço meus instintos, mas se eu puder evitar ou adiar pelo menos um pouquinho o meu masoquismo diário, talvez eu volte mais viva e recuperada para a próxima.

Mesmo assim, se é que isso serve de consolo pra mim e pra quem, igualmente, se vê na mesma situação, o vento que passou levando todo amor que tínhamos depositado de alguma forma é o mesmo que trás o novo, o sopro de vida diferente que esperávamos e necessitávamos.

07/04/2009

Entrega


















Eu procuro encontrar algo ou alguém que eu não sei ainda pra me acompanhar, pra eu saber que não estou sozinha.
Algum remédio que me dê alegria e me faça sorrir todos os dias.
Pode ser um amor, o ponto mais alto da contradição, um abismo interno, uma arma que cale tudo aqui dentro ou faça gritar o máximo que puder.
Eu não sei o que eu quero, mas sei exatamente o que não quero. Por isso me liberto, me deixo ser o que eu não sei e consigo finalmente não olhar pra trás.
Vou fechar os olhos e perder o que penso não encontrar. Eu sei, fica tão perto, toda a razão e todo o coração que libertei por impulso, e nessa confusão ser feliz sempre fica pra depois.
Mas não há nada que eu não faça, nenhum desafio que eu não encare, nenhuma palavra que eu queira esquecer de dizer. Se sou o que sou, não posso querer ser além. Vou pra onde é mais doce, vou pra onde meu órgão pulsante me guiar.
O medo de não ter medo não está mais aqui. Minhas cicatrizes são a parte mais forte de tudo o que sou e eu costumo dar valor às marcas que ficaram.
Eu não sei pra onde vou, mas sei exatamente pra onde não quero ir. Não importa se o preto e branco tenta me seguir, não adianta, eu quero vida mesmo que tudo a minha volta tenha cheiro de morte.
Eu vou ser o sol no que não enxergo, e de vez em quando não vou ligar se apagarem a luz. Vou me entregar aos sonhos, deixar meu travesseiro ouvir meu choro ou rir o meu riso no final do dia.
E será no infinito desconhecido que eu enfim vou me reencontrar, que o que eu não sei me guie para o lugar certo, para o alguém certo.

20/03/2009

...Mas se eu meço e renovo é porque eu te quero bem






Encerrando ciclos... É como nascer de novo, como trazer um sorriso que nunca foi visto, como enxergar tudo de outra maneira.


Ignoro seus passos não porque quero. Ignoro-os porque agora o meu bem e meu mal é você e se eu não posso ter o meu amor, quero a minha dor.


Fechando círculos antigos, saindo de mansinho pela saída de emergência. Deixando para trás só o som dos meus passos, carrego tudo o que sou. Não sei para onde vou, mas sei que sozinha eu consigo ir além.


E se há saudade, há também o colorido que agora é branco e preto. Há a dor que não sinto e o amor que deixo ir embora.


Cortando laços, criando espaço entre eu e você. Te deixo respirar e você me tira o fôlego! (Não mais, não mais...) Estampo um sorriso que não sei de onde veio, você estampa uma lágrima, mas não quero vê-la caindo.


E da nossa despedida o desencanto, a mudança de tom. Se um dia algo restar de nós dois o tempo se encarrega de guiar nossos passos na direção certa. Para que nossa vida incerta possa enfim se reanimar.

Seja como for

Seja sua dor,

Seja o seu amor.